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O rei do ritmo

Postado em Entrevistas

Jackson do Pandeiro, o mais importante ritmista brasileiro, em todos os tempos, tem despertado mais comentários e idolatria que audição e estudos, desde seu último disco, “Isso É Que É Forró”, lançado em 1981. Falecido em 10 de julho de 1982, José Gomes Filho, o rei do ritmo, o gênio de Alagoa Grande, na Paraíba, um dos pilares da música popular brasileira da década de 1950 para cá, ainda tem sua rica e vasta obra restrita às lembranças nostálgicas de quem vivenciou seu período áureo ou esquecida em empoeiradas prateleiras de solitários e escassos colecionadores. Mais ou menos, aliás. Há coisa de uns 10 anos, a curiosidade em torno do músico e sua vasta e consistente obra vem ganhando contornos de perpetuação.

Silvério Pessoa, Lenine, Bastianas, Cabruera, Maíra Barros, Cascabulho, Jarbas Mariz, Chico César, Beto Brito, entre outros bambas da nova geração de talentos sonoros, têm conseguido manter acesa a chama da vela da sabedoria jacksoniana. Tão moderno quanto tantos que aí estão e ainda virão.

Tão sofisticado e refinado – embora iletrado e empírico – quanto Pixinguinha, Moacir Santos ou Guerra Peixe.

Tão insistente na definição de uma identidade musical essencialmente brasileira quanto Noel Rosa, Cartola ou Ary Barroso.

Tão sintonizado com as massas quanto Lupicínio Rodrigues, Vicente Celestino ou Nelson Cavaquinho, nos primórdios do rádio.

Tão envolvente quanto os indeléveis Nelson Gonçalves, Orlando Silva ou Sílvio Caldas.

Tão carismático quanto Ataulfo Alves, Jorge Veiga ou Ciro Monteiro.

Tão concentrado quanto Jamelão, Maísa ou Araci de Almeida.

Tão sensível quanto Humberto Teixeira, Zé Dantas ou Rosil Cavalcanti.

Tão fulgurante quanto Emilinha Borba, Dalva de Oliveira ou Carmélia Alves.

Tão sinuoso quanto Milton, Djavan ou Marisa Monte.

Tão surpreendente quanto Ney Matogrosso, Herbert Viana ou Seu Jorge.

Tão necessário quanto Raul, Cazuza ou Renato Russo.

Tão vanguardista quanto Jards Macalé, Tom Zé ou Jorge Mautner.

Tão emocionante quanto Chiquinha Gonzaga, Braguinha ou Altamiro Carrilho.

Tão vital quanto Vinicius, Tom ou João Gilberto.

Tão transcendental quanto Elis, Nara ou Clara Nunes.

Tão resistente quanto Chico, Gil ou Caetano.

Tão feminino quanto Gal, Betânia ou Elba.

Tão enraizado quanto Jacinto Silva, Elino Julião ou Zé Calixto.

Tão eletrizante quanto Biliu de Campina, Parrá ou Dez Réis.

Tão lúdico quanto Antonio Barros, Cecéu ou Flávio José.

Tão poético quanto Maciel Melo, Petrúcio Amorim ou Jessier Quirino

Tão contemporâneo quanto Alceu, Valença Zé Ramalho ou Geraldo Azevedo.

Tão harmonioso quanto Sivuca, Dominguinhos ou Hermeto.

Tão Carmem Miranda.

Tão múltiplo como o povo brasileiro.

Tão rítmico quanto só ele poderia ser.

Tão a cara da cultura popular nordestina quanto Luiz Gonzaga, João do Vale, Patativa do Assaré ou Leandro Gomes de Barros. Esses espíritos santos. Essas cândidas almas. Diabólicos deuses travestidos de músicos, espalhando ao tempo o compasso das lembranças das noites de São João, das rodas de samba, da poeira do sertão, da ciranda no terreiro, das lágrimas saudosas no asfalto, vertidas pelos herdeiros de uma inquebrantável cultura campesina, espalhada pelo planeta. Arautos de todos nós.

Aqui vai um pouco da história de um desses. Um dos nossos. Um Zé.


5 comentários para esta notícia

  1. KYDELMIR DANTAS Diz:
    23 dez 08

    Pessoal. Visitem o portal da Revista Raiz
    http://revistaraiz.uol.com.br
    Lá foi inserida a matéria sobre o Memorial Jackson do Pandeiro.
    Aproveitem e visitem, também, o da Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço – SBEC
    http://sbec-mossoro.blogspot.com

  2. Jose Dias Junior Diz:
    26 dez 08

    Acrescente a lista destes novos divulgadores de Jackson a cantora Potiguar KHRYSTAL

  3. fernando Diz:
    01 jan 09

    Bacana, Kydelmir. Obrigado pela dica. Se todos os visitantes desse site agissem assim, em breve teríamos um substancioso acervo informativo sobre Jackson, música nordestina e temas correlatos. Aliás, esse será um dos nossos propósitos: debater, discutir, informar e formar novos amantes e analistas da música brasileira, tendo Jackson, o rei do ritmo, como epicentro do movimento. Abraços.

  4. Gérson Diz:
    14 jul 09

    Gostaria de sugerir ao Fernando, que este sítio disponibizasse, se possível, todas as letras das músicas gravadas por Jackson. Reconheço nesta missão, a dificuldade de um dos doze trabalhos de Hércules, mas que seu êxito fortaleceria esta página, não tenho dúvida,
    saudações

  5. Kydelmir Dantas Diz:
    12 fev 10

    Gostei da relação dos novos seguidores de J, porém, não podemos esquecer os que começaram com ele e continuam ’soprando as brasas da fogueira Jacksoniana, como Biliu de Campina, Fuba de Taperoá, Alceu Valença, Elino Julião (in memoriam), Marinês e Sua Gente (inmemoriam), Elba Ramalho, Geraldo Azevêdo e outra infinidade de gente boa!

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